Desde que a pandemia se materializou em uma catástrofe na economia brasileira, diversas empresas tiveram que tomar medidas rápidas para se adaptar a uma nova realidade e outros padrões de consumo.
Esse cenário, somado a outros fatores, como o ambiente de juros baixos, trouxe um aquecimento das atividades de fusão e aquisição durante o ano de 2020. Segundo um estudo da PwC, o número de aquisições apresentou um recorde da série histórica de transações, com mais de 1000 operações no Brasil.
Entre os segmentos econômicos mais afetados, se destaca o setor varejista de moda. Segundo um estudo da consultoria Alvarez & Marsal (A&M), o segmento totalizou, desde dezembro de 2020 até o final de junho de 2021, R$7,41 bilhões em transações, registrando um crescimento de 22% nas operações na comparação anual.
A aceleração das aquisições é explicada pelos especialistas como um movimento de reequilíbrio. Por um lado, com a queda nas vendas, muitas empresas sofreram durante a pandemia. Houve um crescente endividamento e fortes dificuldades em dispor de capital de giro, o que acarretou solicitações de concordatas e outros tipos de recuperação judicial na tentativa de reorganização econômica, administrativa e financeira por parte das empresas. Por outro lado, as companhias mais capitalizadas, e, portanto, resilientes à crise, passaram a enxergar um mercado com ativos a preços mais interessantes e pretendem acelerar o seu crescimento de forma inorgânica.
O setor, que ainda é considerado fragmentado no Brasil quando comparado a mercados de outros países, oferece uma boa oportunidade de consolidação para as empresas que investirem nesse mercado, e as fusões e aquisições têm se mostrado uma grande ferramenta para esse movimento.